Arduino.org? WTF?!?!


#1

Olá pessoal, não sei se tem mais pessoas na comunidade que acompanham a cena Arduino e eu deveria ter vindo aqui antes para expôr o assunto, mas infelizmente o tempo não tem me permitido nem terminar alguns artigos que tenho em mente para o Fazedores.

Acho que às vezes nós usamos algo e não paramos para perceber o que acontece ao redor, mas desde fevereiro deste ano, houveram problemas com o projeto Arduino… Alguém já se perguntou o motivo de agora, quando você vai fazer o download da IDE oficial, é proposta uma doação? Assim como novas páginas deixando mais claro que está por trás do projeto Arduino surgiram?

Bom, vou tentar ser suscinto, caso contrário vou escrever um wall text as I always do…

Desde fevereiro deste ano surgiu na internet a homepage arduino.org clamando aos makers do mundo serem o Arduino verdadeiro, só depois de algum tempo, Massimo Banzi foi obrigado a se pronunciar e esclarecer para a comunidade o que está havendo através desta matéria na Makerzine.

Segundo a versão de Banzi, um dos fundadores da companhia, o Gianluca correu e registrou a marca Arduino na Itália de onde deteve a produção até um ano atrás e estagnou a expansão da companhia.

Em novembro do ano passado, a SmartProjects que produzia a placa, ganhou um novo CEO, Musto e este renomeou a companhia para Arduino Srl. e deu várias entrevistas a jornais nas últimas semanas afirmando ser o novo CEO do Arduino e entrou em conflito direto com o Arduino LLC. que conhecemos.

Para o azar do Arduino Srl. vários colaboradores do Projeto Arduino estão com Banzi e até deixaram claro que, a própria IDE do Srl. é um fork da IDE original, cuja única alteração é esta, ou seja, desabilitação da verificação do vendorid e productid para não saltarem mensagens de aviso na tela.

Enquanto isso a Srl. continua clamando ao mundo que são os “verdadeiros Arduino”.

Há mais material pela web, basta procurar e se informar… Até!


Arduino Zero disponível!
#2

Olá Fazedores,

O Modelo OPEN “alguma coisa” é muito novo e começa a sofrer o impacto de um modelo dominante e muito maior e mais poderoso que é o modelo do CAPITAL; que era de se esperar.

A chamada “Economia Aberta” ainda não conseguiu encontrar a interface adequada com o modelo capitalista. Existem muitas empresas que já começam a dar os primeiros passos por um caminho que parece o mais promissor. Temos como um dos maiores exemplos a 3D Robotics ( http://3drobotics.com/ ) que pertence a um dos embaixadores do Movimento Maker, Chris Anderson.

Os modelos em minha opinião podem coexistirem sem problemas, mas o maior obstáculo que irá enfrentar será o da cobiça humana.

Voltei ao mundo Maker depois de mais de 30 anos afastado. Fiquei super empolgado com todas as reportagens, vídeos etc… fico imaginando o quanto é poderoso o ato do “compartilhamento”… Mas quando partimos para a realidade vemos que é tudo muito diferente do que imaginamos.

Na própria comunidade que 3D Robotics criou a http://diydrones.com/ vejo que as pessoas ainda estão muito presas ao ganho de capital. Aqui no Brasil não é diferente, tenho notado isso nas comunidades que participo, apesar que nosso povo é muito mais solidário sem sombra de dúvidas.

Não as culpo, de forma nenhuma, nascemos dentro desse modelo e pensar e agir diferente é uma grande quebra de paradigma, algo que não é fácil, muito difícil mesmo.

Mas independente de qualquer coisa acredito que seja um caminho sem volta. Sofrerá muitas modificações no futuro que é normal e salutar.

Faço a minha parte, estou projetando um VANT Open Hardware e estou “compartilhando” tudo aquilo que estou aprendendo no meu site http://roboticsbrasil.com.br
Está todo em português, pensando de maneira “capitalista” deveria está em inglês com isso ganharia centenas e talvez milhares de acessos, mas um dos meus objetivos maiores é suprir nossa comunidade com informações que as vezes é tão difícil de encontrar ou melhor, informações que as vezes não são compartilhadas.

Tudo é questão de tempo, cada vez mais curto. Estou empolgado e acredito que iremos trilhar por momentos ainda mais turbulentos mas que as pessoas que souberem navegar por essa tempestade irão trilhar e aportar nas ilhas que representam os objetivos e/ou sonhos de cada um.

Abraços.


#3

Começando pelo começo,

Dutra, muito boa sua colocação sobre tudo que está acontecendo com o Arduino/Genuino.

Carrera, parabéns pelo seu projeto com o VANT, muito bom.

Sobre a cultura Open Source, é uma coisa bem complicado uma conciliar uma cultura capitalista de máximo ganho com uma cultura que preza pelo conhecimento livre. Existem algumas questões de como viver em um ambiente de capital sendo altamente focado no compartilhamento livre, é bem complicado pensar em um modelo de negócio sustentável quando estando no mundo capitalista e sendo Open.

É interessante olharmos para os modelos de sucesso encontrados na comunidade de Software Livre e Open Source.
Devemos sempre ter em mente que existe diferenças entre Open Source e Free Software (Freeware). Basicamente ser Open Source, implica em compartilhar todas a informações, sem restrição, mas não implica em não cobrar pelo seu produto pronto. No casso do seu VANT Carrera, você pode ser Open Hardware, compartilhando todas a informações, mas ao mesmo tempo pode vender kits seu VANT para aqueles que não pretendem passar por todo o trabalho de confeccionar ou procurar por todos os componentes. Basicamente o conhecimento livre se baseia na ideia de que o conhecimento é livre, inexistência de propriedade intelectual remunerada, mas que você pode comercializar o seu esforço e trabalho, a execução baseada nesse conhecimento.
Gosto muito da abordagem Creative Comons, e toda a flexibilidade que ela lhe dá para como e quanto você quer abrir do material, seja um software, um hardware ou informação intelectual.

Ia me esquecendo de falar de mim, também estou retornando ao movimento de fazedores, faça-você-mesmo, maker, ou simplesmente bricolagem, depois de 20 anos afastado (não que eu tenha parado totalmente um dia). No momento estou mergulhando de cabeça no movimento maker e dos laboratórios compartilhados (fablabs, makerspaces, hackerspaces), e assim procurando ativamente um modelo de negócio livre e sustentável.